Entrevista com Henrique Marcondes – Project Manager de TI

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Conheça Henrique Marcondes, um veterano project manager de TI , Scrum Master e Agile Project Manager do Brasil, com mais de 20 anos de experiência em TI.

Prazer em te conhecer, Henrique. Você pode se apresentar para nós?

Eu comecei a trabalhar com tecnologia em 1987, primeiro como desenvolvedor e analista de sistemas. Graduei na universidade em 2004 em Sistemas de Informação e comeceu minha carreira como consultor de desenvolvimento e também liderando equipes de desenvolvimento e projetos para clientes como Visanet, HP, Unilever, Electrolux, entre outros.

A partir de 2008 comecei a focar em projetos e frameworks (PMI e AGILE) e em 2009 cheguei no Citibank, onde consegui desenvolver mais essas habilidades. No Citibank costumávamos trabalhar com waterfall, mas queríamos mudar para metodologias ágeis como SCRUM e Kanban. Tive a oportunidade de trabalhar em grandes projetos internacionais envolvendo equipes de países como Polônia, Singapura, México e Brasil, inserindo o SCRUM framework e ensinando projetos e equipes de desenvolvimento.

Depois de deixar a empresa em 2014 eu trabalhei na What? – uma empresa de desenvolvimento de sistemas Web, gerenciando projetos online no home office em diversos segmentos como finanças, medicina, e-Commerce e outros. 

O mercado valoriza muito suas certificações, mais até que diploma universitário em certos casos

Qual é a sua formação educacional e como sua trajetória de carreira mudou ao longo dos anos.

Como mencionei, eu comecei cedo no campo da tecnologia e nunca sai. Só fui me formar na universidade mais de 15 anos depois de começar minha carreira. Minha formação educacional não interferiu no meu trabalho como freelancer. O que importava era a prática, “meter a mão na massa”.

Trabalhei para várias empresas contratado e como freelancer. E algumas vezes enquanto trabalhava para uma empresa, tinha trabalho como freelancer em duas ou três companhias ao mesmo tempo.

Quando você deu o salto para ser um freelancer e quais foram as razões?

Isso começou em 2008 quando trabalhava como consultor e tinha que lidar com quatro clientes e oito projetos. Eu descobri o apinfo.com que na época tinha muitos freelancers. Eu vi um projeto que me interessou, entrei em contato e consegui o trabalho. Nos dois meses seguintes o cliente me indicou para outro, que me indicou para outro e assim foi.

Em outras palavras, eu não me demiti do meu trabalho, só comecei a ter trabalhos como freelancer em paralelo. Esse é um modelo econômico interessante já que você ganha bastante dinheiro, mas tira um pouco de sua vida. Minhas horas de trabalho mensais passavam de 350, sendo que o normal seria 168 horas.

Por que eu trabalho como freelance? Curiosidade – você quer fazer mais, aprender mais e consequentemente ganhar mais

Quais problemas você teve que encarar no começo de sua carreira como freelancer?  

O maior desafio é ter trabalho demais e manter a saúde mental nesse cenário. Além disso eu tinha um trabalho fixo para comparecer todo dia.

Algumas vezes você não sabe bem em quem prestar atenção e em outras você pode ter seu trabalho reprovado pelo cliente.

Claro, também tem o medo de não saber se você vai conseguir lidar com tudo. Mas depois de alguns anos esse medo vai embora e você se sente mais confiante.

Na sua opinião qual é a habilidade mais importante que é necessária para um freelancer e por que?

Eu acho que ser adaptável e transparente. Adaptar-se a diferentes situações e projetos aumenta sua capacidade de participar de diferentes projetos. E transparência é sempre bom para os clientes – eles têm que saber como está o progresso do trabalho, seja por um aplicativo online ou até por uma comunicação direta, como e-mails regulares ou até diários, se necessário.

Nós sabemos que a aquisição de clientes é um dos maiores desafios dos freelancers. Como você encontra novos projetos?

Atualmente há várias plataformas online que focam em trabalhos freelance como Freelancerpt.com, 99freelas e outras.

É importante que seu perfil esteja sempre atualizado – suas habilidades tem que estar claras, assim como o tipo de projeto que você procura. Sempre interaja nessas plataformas, seja mandando orçamentos ou respondendo os reviews dos clientes.

Quais serviços você oferece e quais projetos você mais gosta de fazer?

Atualmente eu só trabalho como Project Manager de TI, Scrum Master ou Project Manager de Agile, sendo normalmente para pequenos ou médios projetos para clientes que já tem uma equipe formada. Mas eu também ajudo na criação de equipes de desenvolvimento para projetos quando necessário, também usando freelancers.

Quais são suas dicas para freelancers que trabalham com project management?

  • Renove suas certificações. Se você não tem uma, vá atrás porque o mercado valoriza muito as certificações, mais até que diplomas universitários em alguns casos. Mesmo que você tenha a prática de anos, não é suficiente. O mercado exige que você tenha um comprovante, então se você tem experiência já, corra atrás da certificação que o mercado o verá com melhores olhos.

    Eu, por exemplo, tenho as seguintes certificações:
    Google Project Management, Change Management da Metropolitan School (Londres), ITIL Foundation, Lean Six Sigma Yellow e White Belt, Scrum Master Certified pela ScrumStudy e Certificate Agile com Atlassian Jira. E diversos cursos na área de projetos.
  • Fique atualizado com as metodologias porque coisas novas estão sempre aparecendo..
  • Tenha uma conta nas aplicações de project management como JIRA, Monday, VivifScrum, entre outras. Você pode usá-las com seus clientes e você também terá uma demo do projeto para seus futuros clientes.

Quais são as ferramentas (apps, equipamento, software) que você não consegue viver sem?

Jira, Excel, PowerPoint, External HD e um bom equipamento, notebook ou PC, ou de preferência ambos caso um deles quebre. 🤯

Como é o mercado de freelancers no Brasil? Você tem dicas específicas para profissionais que consideram trabalhar como freelancers em seu país? E como a pandemia afetou o cenário?

Quando você está acostumado a trabalhar (e procurar por trabalhos) em plataformas internacionais, não há muito o que piora ou melhora de país para país, já que a cultura da empresa do cliente não muda – eles já estão acostumados a trabalhar com um freelancer da Índia, Brasil ou Estados Unidos.

No caso de trabalhos regionais (Brasil), ainda há uma cultura de pouca confiança em freelancers, que ainda são um pouco marginalizados no mercado de trabalho. Mas com a pandemia e o novo normal sendo o “trabalho de casa”, parece que o apoio e a imagem desses trabalhadores melhorou. Eles começaram a “nos ver” e se não ficarem espertos vamos tomar o mercado. 😁

Miguel Amado

Freelancer desde 2014, Miguel Amado é um criador de conteúdo, analista SEO e editor/apresentador de podcasts.

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