Mulheres na Tecnologia: Desafios e Oportunidades

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Com as rápidas mudanças que vivemos no mundo de hoje seria de imaginar que o gênero não tem peso no trabalho. Infelizmente não é assim: a visão sobre a tecnologia ser um campo masculino ainda persiste atualmente e cria barreiras para as mulheres na tecnologia ou até mesmo para as jovens que considerem entrar nesse empolgante campo profissional.

  1. O que impede as mulheres de entrar no campo da TI – Os desafios
  2. Como incluímos mais mulheres na tecnologia? – As oportunidades
  3. Mulheres na TI fazendo freelas
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O que impede as mulheres de entrar no campo da TI? – Os desafios

Sheryl Sandberg, Executiva de Tecnologia, discutiu em uma TED Talk as razões pelas quais as mulheres estão sub-representadas nos campos STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

Se queremos saber o que está impedindo mais mulheres de entrar nessas carreiras técnicas é importante focar nos cenários passados, atuais e futuros nas áreas STEM. Para fazer isso, primeiro devemos analisar os principais problemas que as mulheres encaram.

1. Disparidade baseada no gênero

Uma pesquisa feita no campo da tecnologia informou que 63% das mulheres que ocupam cargos no setor acreditam que estão em desvantagem devido a seu gênero. Seja por ocorrências onde suas sugestões foram rejeitadas, sua palavra foi constantemente interrompida em reuniões ou até tratamento preferencial para profissionais masculinos quando surgiram oportunidades de promoção e ascensão na carreira.

“A qualidade, relevância e impacto dos produtos e serviços gerados pelo setor de tecnologia só pode melhorar se as pessoas que os constroem sejam demograficamente representativos em relação às pessoas que vão usá-los.”

Tracy Chou — Engenheira de Software na Pinterest.

Ter uma situação mais equilibrada na questão de gênero sem dúvidas melhorará a produção dos setores STEM. Criar um mundo mais avançado tecnologicamente só será possível quando ambos os lados da população humana tiverem o poder de criar esse mundo.

2. Falta de representatividade e modelos

Nessa mesma pesquisa, 43% das participantes afirmaram que a falta de modelos femininos é um ponto de incômodo na indústria da tecnologia. Isso explica porque não se vê tantas mulheres buscando seu espaço no setor, já que pode ser difícil encontrar um mentor que consiga se relacionar e conectar com sua situação.

De acordo com o Gender Gap Report 2020, é possível observar que as diferenças na presença de profissionais por gênero são evidentes em papéis técnicos específicos.

Comparação de mulheres e homens em grupos profissionais e indústrias de tecnologia
Comparação de mulheres e homens em diferentes grupos profissionais na indústrias de tecnologia

Há uma grande concentração em certas indústrias dentro da tecnologia. As mulheres representam apenas 26% dos profissionais em cargos que lidam com Dados e Inteligência Artificial, 15% nas Engenharias e 12% na Computação em Nuvem.

3. Diferença salarial

Mesmo em 2020 é fato que independente da indústria, mulheres ganham menos que homens. O Global Gender Gap Report apresentou uma diferença salarial baseada em gênero que é vista em todas as áreas. Atualmente existe, em média, um desequilíbrio de 31,4%. Este, sem dúvida, precisa ser eliminado.

Essa diferença salarial é provavelmente uma das maiores razões para a sub-representação das mulheres na tecnologia e carreiras STEM em geral.

Evolução do "gap" salarial entre 2010 e 2019 nos países da OCDE
Evolução do “gap” entre 2010 e 2019 nos países da OCDE

Como em outros casos relacionados a dados sociais e de trabalho, os países nórdicos são os mais avançados, com a edição deste ano do Global Gender Gap Index colocando quatro países da região no seu topo global.

A Islândia é mais uma vez o país mais igualitário em termos de gênero, sendo a 11ª vez seguida que obtém essa marca. O “gap” é de 88% em média, um ligeiro avanço comparado ao ano anterior.

O mesmo relatório colocou a Alemanha em 10°, com um resultado de 0.787, algo que precisa ser destacado porque o país era o quinto em 2006.

Pontuação de Alemanha no Gender Gap Report 2020
Pontuação de Alemanha no Gender Gap Report 2020

Apesar de ser positivo o fato que a discussão sobre a desigualdade salarial entre gêneros está ganhando espaço, ainda há um atraso considerável para garantir que homens e mulheres recebam de forma igual pelo seu tempo e habilidade e capacidade. 


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Os países nórdicos estão na dianteira nesse sentido e tomara que eles puxem o resto da lista.

Nós não podemos mudar o que não conhecemos, mas uma vez que conhecemos, não podemos deixar de mudar.

Sheryl Sandberg, Executiva na área da Tecnologia.

Como incluímos mais mulheres na tecnologia? – As oportunidades

1. Eliminar a diferença na educação

A diferença no acesso à educação é menor hoje em dia, mas ainda há a possibilidade de melhorar, especialmente no nível primário. Há países que ainda precisam de investimento no desenvolvimento dos talentos femininos.

Dados contextuais para educação e habilidades na pontuação salarial da disparidade de gênero em 2020 na Alemanha
Dados contextuais para educação e habilidades na pontuação salarial da disparidade de gênero em 2020 na Alemanha

2. Mais mulheres com plataformas para se expressar e lutar por seus direitos

As mulheres estão decididas a lutar e juntar forças, com cada vez mais grupos lutando por igualdade de gênero e também pessoas famosas e influentes juntando-se à luta. A mensagem de igualdade ganha espaço em eventos, documentários e nas redes sociais.

Isso também cria um envolvimento que chega às ruas, com passeatas e manifestações multitudinárias. No Brasil também há avanços, com 38% das mulheres se declarando feministas em pesquisa do Datafolha de 2019. Na faixa das mais jovens, 47% se declararam como feministas, indicando que a mensagem está ganhando espaço e deverá ser cada vez mais presente conforme os anos passam.

Independente de se autodeclarar feminista ou não, é notável que há um aumento na conscientização das pessoas e o reconhecimento que há desigualdade de gênero no mundo do trabalho e na sociedade em geral.

3. Mais modelos positivos e referências

Um importante aspecto a ser combatido para alcançar a igualdade nas áreas STEM é derrubar a ideia que só homens podem ganhar espaço e desempenhar papéis. A sociedade aos poucos entende a importância de ter mais mulheres na TI e essa conscientização pode começar logo de cara, nas escolas. É preciso desde essa etapa incentivar o interesse nos campos STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) das meninas para criar engenheiras, desenvolvedoras e cientistas.

Afortunadamente vemos mais mulheres se expressando e apoiando outras mulheres nas redes sociais. É importante que jovens entrem em programas de mentoria com outras mulheres já bem-sucedidas no mercado de tecnologia e computação para encorajar e incentivar durante as jornadas, que serão desafiadoras. A criação de modelos positivos e referências é importante para a mudança nas áreas STEM.

Mulheres na TI fazendo freelas

Mesmo com todos os desafios apresentados, muitas mulheres talentosas estão se tornando freelancers e empreendendo.

A pesquisa do freelancermap 2020 trouxe alguns insights importantes sobre imposições de gênero que também se manifestam na indústria da TI e entre freelancers. Apenas 53% das mulheres se dizem felizes com a renda conquistada nesses trabalhos, número que se aproxima com os de profissionais full time, contratados por empresas. 

Esse número é consideravelmente menor entre homens: 70% estão felizes com sua renda. Mesmo que ser um freelancer seja uma excelente ideia para mulheres nas áreas STEM, ainda há um longo caminho a trilhar.

Aqui está um panorama geral dos insights adquiridos nesta pesquisa com freelancers:

Infografico mulheres na tecnologia
Pesquisa freelancermap 2020 – Infografico mulheres na tecnologia

Para concluir, não há muitas dúvidas sobre as grandes contribuições que as mulheres na tecnologia podem dar e os diversos papéis que podem desempenhar e posições que podem ocupar. Mas isso só será possível quando barreiras que ainda se mantêm sejam derrubadas e a inclusão seja completa.

E o que você acha? Gostaríamos ler sua opinião nos comentários abaixo, compartilhe sua experiência de mulher de TI.

Natalia Campana

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